Durante a apresentação oficial do relatório trimestral da Nintendo, o presidente SHUNTARO Furukawa afirmou que a apelidada “Big N” não pretendo seguir os mesmos passos da Sony e Microsoft. Para a gigante japonesa, fazer grandes aquisições pode descaracterizar e desonrar os anos de esforços que a companhia levou para construir o seu legado.

Portanto, o executivo acha que não seria vantajoso para a empresa:

Nossa marca foi construída sobre produtos criados com dedicação por nossos funcionários, e ter um grande número de pessoas que não possuem nenhum DNA da Nintendo em nosso grupo não seria uma grande vantagem para a empresa. “ – explica Furukawa.

Conforme observado por alguns analistas da Bloomberg, a Nintendo tem investido 100 bilhões de ienes (em torno de $870 bilhões de dólares) para fortalecer de forma orgânica, o setor de desenvolvimentos de jogos da empresa.

Contudo, no ano passado, precisamente em janeiro de 2021 a Nintendo adquiriu a Next Level Games – o estúdio terceirizado que por quase 20 anos, atuou como uma desenvolvedora subsidiária, produzindo o port de Luigi’s Mansion do GameCube para o Nintendo 3DS, Luigi’s Mansion: Dark Moon para o mesmo portátil, Luigi’s Mansion 3 para o Nintendo Switch e outros títulos de franquias famosas da Nintendo à exemplo de Mario Strikers Charged para o Wii em 2007 e Punch-Out.

Vale ressaltar que antes de se tornar um dos mais importantes estúdios secundários da Nintendo, a Monolith Software (de Xenoblade Chronicles, Xenoblade Chronicles 2 e Xenoblade Chronicles X) era uma subsidiária da Namco formada por profissionais que desenvolveram Baten Kaitos, Xenosaga, Xenogears, Project X Zone e brilhantemente fundada por TETSUYA TAKARASHI – O criador dos icônicos Final Fantasy VI e VII.

Então, entendemos que a Nintendo nunca foi isenta de realizar algumas aquisições significativas de estúdios de grande ou médio porte; desde que façam sentido para ela.

Mas e se fosse ao contrário? E se em meio as estratégias de negócios, a Nintendo adquirisse alguns estúdios majoritariamente japoneses; qual estúdio terceirizado de desenvolvimento de jogos combinaria com a identidade, sinergia e o plano de negócios da gigante japonesa?

A redação listou cinco estúdios que poderiam ser comprados por ela:

PLATINUMGAMES > O estúdio do marrento e polêmico HIDEKI Kamiya foi um dos estúdios terceirizados que mais desenvolveu jogos exclusivos para os consoles da Nintendo durante os últimos anos. Todos eles: Bayonetta 2, The Wonderful 101, Mad World, Star Fox Zero/ Guard e Astral Chain, respiram o DNA da Nintendo em criatividade, ritmo, sistema de gameplay e energia. A PlatinumGames seria uma das subsidiárias mais emblemáticas da gigante japonesa.

 

MISTWALKER > The Last Story (Wii) é um dos primeiros e exclusivos projetos de estreia do estúdio fundado por Hironobu Sakaguchi. E facilmente, um dos mais bem sucedidos projetos de J-RPG. Ao jogar os demais jogos de grande escala desenvolvidos pelo estúdio como Blue Dragon e Lost Odyssey (Xbox 360), imaginem em quantos frutos a genialidade do pai de Final Fantasy com a criatividade da Big N renderiam…

 

SQUARE-ENIX > Secret of Mana, Chrono Trigger, Chrono Cross, Super Mario RPG, Bahamut Lagoon, Dragon Quest, Kingdom Hearts, Final Fantasy, Chocobo Racing… E se por ventura, a desenvolvedora e publicadora de Tóquio voltasse a desenvolver jogos de suas principais franquias exclusivamente para os consoles da Nintendo como nos saudosos anos 90 – época em que os grandes RPGs reinavam absoluto no SNES?

 

GRASSHOPPER MANUFACTURE > Diante de tantos game designers com propostas idênticas de jogos genéricos, o apelidado “Quentin Tarantino japonês da indústria dos games” – SUDA51 se diferencia por literalmente, vomitar ideias não desgastadas e satirizar a indústria com as suas maluquices provindas do mundo Geek em propostas excêntricas de jogos fora da caixa (ou fora da casinha – risos). Se NO MORE HEROES ainda não for o bastante, experimente debulhar Shadows of the Damned, Lollypop Chain, Killer is Dead ou Killer7 em estado sã.

Nos últimos meses, Goichi Suda andou dizendo que um dos seus desejos é ressuscitar Nazo no Murasame Jo (ou “O Misterioso Castelo Murasame“) – Um antigo IP da Nintendo e convenhamos: o conceito do jogo tem tudo a ver com a excentricidade dele. Você consegue imaginar em quantas novas franquias insanas, o Nintendo Switch receberia se SUDA51 e seus comparsas da Grasshopper Manufacture se tornasse um dos estúdios “first-party” da gigante japonesa?

 

LEVEL-5 > Confesse: ao debulhar o belíssimo RPG – Ni No Kuni, Professor Layton ou qualquer um dos jogos de Yo-Kai Watch, quantas vezes você se pegou pensando em como seria fabuloso a Level-5 colaborar com a Game Freak para desenvolver um novo jogo de Pokémon?

 

TECMO KOEI > Só para constar, hoje a Nintendo é detentora de 83% dos direitos da franquia de terror japonês – Fatal Frame, tem atuado como uma desenvolvedora colaborativa de Hyrule Warriors e Fire Emblem no melhor estilo Musou, e uma responsáveis pela produção da aventura da caçadora espacial Samus Aran em Metroid: other M (Wii). Isso é mais do que o suficiente para a desenvolvedora/ publicadora japonesa ser uma subsidiárias da Nintendo.

 

VANILLAWARE > Visuais bidimensionais pintados a mão que enriquecem as batalhas dinâmicas de Hack’n Slash com saudosismo e doses de RPG são as marcas registradas de Muramasa the Demon Blade, Odin Sphere, GrimGrimoire e outros cults do estúdio japonês – que combinam com a estrutura de jogos da Nintendo, simples assim.

 

BANDAI NAMCO > Um dos estúdios que colaboraram com o desenvolvimento de Super Smash Bros (Wii U/ 3DS) e Ultimate (Nintendo Switch), é a criadora de uma das melhores franquias de RPGs da terra do sol nascente – Tales of, e sobretudo, a licenciadora dos melhores jogos baseados em séries de Anime como Dragon Ball Z e Naruto. Dentre seus maiores feitos exclusivos para a plataforma Nintendo, listamos a inclusão de Link (The Legend of Zelda) como um dos lutadores da versão de Soul Calibur II para GameCube, o Remake de Klonoa para Wii, o controverso Star Fox Assault. (GameCube) e a edição de TEKKEN Tag Tournament para o Wii U com trajes e itens das principais franquias da apelidada “Big N”.

 

CAPCOM > Pensando na linha do tempo, podemos concluir que a parceira entre a desenvolvedora e publicadora japonesa de Osaka e a Nintendo renderam grandes frutos que nasceram como novos jogos exclusivos em uma de suas plataformas e se consolidaram como best-sellers de vendas ao longo das gerações à exemplo de Resident Evil 4 (GameCube), Resident Evil Zero e o remake de RE1 (GameCube) e Resident Evil: Revelations (Nintendo 3DS), Monster Hunter-Tri (Wii) e por fim, Monster Hunter Rise. (Nintendo Switch). Tanto que ganharam novas versões para os consoles subsequentes. Certamente, a imaginada aquisição da CAPCOM pela Nintendo, causaria um estrondo na indústria dos videogames com a mesma força que sentimentos ambíguos por grande parte dos fãs.

 

PLAYTONIC GAMES > Fundada em 2014, e com exceção de um membro, a desenvolvedora é formada por ex-funcionários da Rareware, e que resultou em bons frutos: YOOKA-LAYLEE – mascote em dose dupla que é reconhecido como a continuação espiritual dos saudosos Banjo-Kazooie. Já que grande parte dos artistas da RARE compõem o time de desenvolvimento da Playtonic Games, caso a Nintendo viesse a reconsiderar a aquisição de alguns estúdios terceirizados, não seria difícil pensar em quantos clássicos instantâneos que essa parceria resultaria.

Por Cayo Eduardo. (Equipe BIG BOY GAMES)

Fonte: NintendoLife