O início de tudo…

É difícil explicar como e porque Kingdom Hearts existe, afinal é uma série que combina universos, temáticas, mecânicas e personagens de dois universos totalmente distintos, como Disney e Final Fantasy, logo não faz muito sentido e mesmo assim qualquer gamer que já tenha jogado pelo menos um jogo dessa grande franquia pode atestar, “não é que dá certo mesmo o Pato Donald soltar um raio pelo seu cetro?”.

Kingdom Hearts começou como uma discussão entre Shinji Hashimoto e Hironobu Sakaguchi, até então empregados da Square Enix, sobre Super Mario 64, onde eles discutiam sobre a gameplay do jogo e como apenas um personagem da Disney poderia bater de frente com o famoso “Encanador da Nintendo”.

Tetsuya Nomura escutou a conversa e se ofereceu para criar e trabalhar no projeto, a ideia seguiu em frente quando Shinji Hashimoto encontrou um executivo da Disney no elevador do prédio onde as duas empresas dividiam seus locais de trabalho, falou sobre a ideia de combinar suas franquias e então, começaram a pensar em desenvolver o jogo.

Quem realmente teve a ideia?

Se você nunca ouviu falar de Nomura não tem problema. Até os anos 2000 Nomura não era um grande nome nos jogos como é hoje. Tetsuya trabalha com design de personagens e monstros na série Final Fantasy, com seu trabalho mais notório sendo o emblemático Final Fantasy VII, o que é interessante vendo que hoje Nomura é o diretor do Remake do jogo no PS4 e PS5.

Ele iniciou o trabalho em Kingdom Hearts tendo como missão apresentada pelos grandes da Square Enix de que o jogo não iria fazer sucesso se caso ele não mirasse no mesmo nível de Final Fantasy, e assim se iniciou um dos projetos mais ambiciosos de sua vida.

Kingdom Hearts tem uma história complexa e simples ao mesmo tempo, um garoto escolhido pelo seu coração puro pra limpar o mundo da escuridão, com temas sobre amizade, luz contra trevas e existencialismo, o jogo fez um grande sucesso entre fãs e críticos na época , seu gameplay voltado para um RPG de ação e aventura com uma mistura de decisões táticas da série Final Fantasy foi o que levou muito fãs a amarem o jogo, após o lançamento em março de 2002, Nomura deixou pistas para uma futura sequência sem saber se o jogo iria fazer sucesso o suficiente para que uma sequência fosse ser aprovada pela Square Enix.

Mas é claro que foi aprovada no final, até por que se aquela ideia absurda deu certo uma vez porque não funcionaria mais uma vez, não é mesmo?

E como foi depois do primeiro jogo?

O projeto de uma sequência foi anunciado em 2003 junto com um jogo para o Game Boy Advance entitulado como: “Kingdom Hearts Chain of Memories”, eventualmente relançado ao PS2 como “RE: Chain of Memories”, que iria se passar logo após os eventos do primeiro jogo e preparar o terreno para o arco da sequência.

Chain of Memories foi visto como apenas um Spin-off da franquia que não seria importante para a trama principal, mas como hoje nós já estamos acostumados, nenhum jogo da franquia pode ser deixado de lado. Chain of Memories é importantíssimo para a sequência do PS2, introduzindo personagens e vilões dos próximos jogos, logo Nomura fez o impossível.

Quando “Kingdom Hearts 2” foi lançado era um sonho tornando-se realidade para os fãs do primeiro jogo, apostando forte nas ações e nos combates frenéticos. Além disso, do primeiro jogo até esse, a sequência dobrou sua ambição com a pegada Final Fantasy: mais mundos, mais personagens, novos antagonistas, mecânicas de RPG melhoradas, foram o que tornaram KH2 como um dos melhores jogos da franquia até hoje, um título que não pode ser deixado de lado por qualquer gamer que se preze, o título foi um sucesso e confirmou seu lugar no Hall da Fama dos Games.

Teve mais…?

Após a sequência numeral com “Kingdom Hearts 2” os fãs já iniciaram sua preparação para o inevitável terceiro jogo da franquia, fãs como nós que esperariam por anos por esse lendário fim da trilogia, mas infelizmente nós não sabíamos o quão pacientes nós deveríamos ser (Spoilers: a gente ia precisar ser MUITO paciente!).

Enquanto os fãs envelheciam esperando o terceiro jogo da franquia, Nomura, ambicioso como sempre decidiu expandir seu universo, com “Birth by Sleep” no PSP que contaria a história de 3 usuários da Keyblade, icônica arma usada por Sora – o escolhido durante os jogos anteriores da franquia.

“Birth by Sleep” se passa 10 anos antes do primeiro jogo, com os personagens Aqua, Ventus e Terra, introduzindo novas mecânicas para seu combate. O jogo foi um sucesso para os fãs, apesar disso o game falhou em atingir a grande massa de fãs que jogavam nos seus consoles de mesa por conta da limitação da plataforma do PSP, mesmo assim isso não impediu que Nomura contasse a história que agora se tornava uma bagunça (no bom sentido da palavra) em múltiplas plataformas.

Quais plataformas rodavam os jogos, até então?

Jogos como “Coded” para celulares, “358/2 Days” no Nintendo DS, 3D “Dream Drop Distance” no Nintendo 3DS e “Union X” (o X se lê como Key) nos smartphones. Com tantos jogos para as várias plataformas diferentes fizeram com que os fãs não tão investidos financeiramente pudessem ter a experiência completa da franquia.

Felizmente com a história finalmente preparada para o seu clímax em “Kingdom Hearts 3” a Square Enix lançou em 2013 e 2014 as coletâneas “Kingdom Hearts 1.5 e 2.5 REMIX”, que traz todos os jogos da franquia até então remasterizados em HD e melhorados com as suas versões Final Mix. Clique aqui para conferir esse game!

Com o lançamento desse game, a ideia era preparar os fãs que perderam algum(ns) jogo(s) importante(s) da franquia, preparando-os para o tão esperado terceiro título, mas o que ninguém esperava aconteceu, o lançamento das coletâneas foi enorme no PS3 que reviveu o hype da franquia.

Mas e o problema das plataformas?

“Kingdom Hearts HD 2.8 Final Chapter Prologue”, veio em 2015 com a versão HD de “Dream Drop Distance” e a história completa em HD de “Union X” em formato de filme para os consoles da última geração, sem contar “Birth by Sleep 0.2” que continuava a história do primeiro “Birth by Sleep”, só que agora com uma nova engine e todos os sistemas de combate e plataforma aperfeiçoados com maestria para que nós tivéssemos uma pitada do que KH3 seria em breve.

Eventualmente todas essas coletâneas se uniram em “Kingdom Hearts All in One Package”, onde todos os jogos estavam rodando em múltiplos consoles agora, logo, só restava apenas um para que a história se completasse.

Mas e Kingdom Hearts 3?

Kingdom Hearts 3, hoje é um dos maiores jogos da franquia, com novas mecânicas, inimigos, mundos e personagens. Compatível com as maiores plataformas do mundo, trazendo ambientes e gráficos fenomenais, até por que os fãs esperaram 15 anos por esse momento.

O clímax de uma saga, há mais de uma década sendo trabalhada, sendo esse, o primeiro jogo da franquia a ser lançado no Xbox, o que se tornou um grande sucesso na plataforma e trouxe todas as coletâneas para serem lançadas pela Microsoft futuramente.

KH3 foi um marco não só para os fãs mas também para Nomura que transformou seu nome em um colosso da indústria gamer, o que o levou a desenvolver jogos como “Final Fantasy VII Remake” e “Final Fantasy XV”.

KH3 era um ponto final ou uma vírgula na história da franquia?

Com a DLC de KH3 um novo final secreto foi lançado que não vou contar aqui por motivos óbvios, mas nos preparou para um eventual futuro da franquia. No ano passado (2020), o novo jogo entitulado “Melody of Memories” foi lançado para todas as plataformas – até mesmo para o Switch – que é o ponto de partida para a fase 4 de Kingdom Hearts, assim como a Marvel vem fazendo hoje após Ultimato, o futuro de Kingdom Hearts vem sendo traçado para uma nova geração de fãs e para os que seguem o caminho há quase 20 anos.

Aliás, são 19 anos de Kingdom Hearts, um dos jogos que conseguiu moldar minha visão sobre relações e sentimentos, que me fez aceitar meu lado criança e maduro ao mesmo tempo, 19 anos de muita confusão narrativa, mas se eu pudesse fazer tudo novamente, eu faria sem pensar duas vezes!

Parabéns Kingdom Hearts e muito obrigado por mudar minha vida!

Por: Raul Santos