Muramasa the Demon Blade é um dos raros e indispensáveis jogos que foi primeiramente pincelado no Wii, e após alguns anos, ganhou uma versão idêntica para PSVita.

Demônios folclóricos, espadas lendárias, duelos nostálgicos e gráficos feitos à mão em um dos games mais bonitos do console de natureza diferente da Nintendo e do último portátil da Sony.

Por Cayo Eduardo. (Equipe BIG BOY GAMES)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

MUSAMASA THE DEMON BLADE.

(Vanillaware/ Marvelous Entertainment/ Ignition Entertainment)

Lançamento: 01 de setembro de 2009. (Wii)/ 28 de março de 2013. (PSVita)

É necessário voltar ao começo.

Dinâmicos, simples e objetivos, mas, não menos interessantes; é impossível pensar no universo dos jogos bidimensionais sem mencionar Double Dragon, TMNT, Shinobi, Ninja Gaiden, Final Fight e outros clássicos dos fliperamas e consoles de mesa dos anos 80/ 90.

Na atual fase em que os jogos eletrônicos gerados por gráficos realistas e exploração extensiva em mundos tridimensionais são cada vez mais associados a qualidade dos mesmos, a aposta da Vanillaware lançada em 2009 nos EUA, firma o legado do bom e velho game 2D.

Por trás do Quimono…

Após a independente empresa japonesa de games Vanillaware ter conquistado milhares de fãs com o belíssimo Odin Sphere (PS2), em parceria com a Marvelous Entertainment seguiu sua estréia no console de natureza diferente da Nintendo trazendo a próxima obra de arte 2D: Oboro Muramasa Youtouden – assim chamado na terra do sol nascente. (A Lenda das espadas míticas Oboro e Muramasa). Além de exótico e excêntrico, Muramasa the Demon Blade faz uma homenagem a volta do gênero que no passado abriu um leque de títulos inesquecíveis ainda registrados na memória dos antigos jogadores.

A espada era a Lei.

Ambientado durante a era Genroku (período de grandeza artística no Japão) onde o shogun Tsunayoshi Tokogawa (governo imperial japonês) era alimentado por uma maligna sede de poder, nascem as amaldiçoadas espadas chamadas Demon Blade dando início às guerras entre os clãs, cada qual com sua ganância. Diz à lenda que as tais espadas provocam insanidade a quem as carrega.

Enquanto o jovem ninja Kisuke que perdeu sua memória é perseguido por ter cometido um crime do qual não se lembra, a bela princesa Momohime que teve sua alma possuída por um cruel espadachim e expulsa de seu castelo, acaba tendo que seguir os planos de Kisuke afim de capturar a lendária espada mais poderosa.

A obra de arte do oriente te orienta.

Embora a progressão do game seja inspirada pelo antigo e ressuscitado estilo sidescrolling, a produção é contemporânea a começar pela exuberância dos gráficos feitos à mão que abusam dos cenários de fundo sobrepostos em camadas dando uma profundidade impressionante.

Alguns desses, apresentam mais de quatro diferentes planos de fundo composto por uma extensa paleta de cores em tons pastéis como manda o figurino da charmosa pintura japonesa. Esqueça os cenários estáticos.

Por mais de 30 estágios diferentes, a variedade dos cenários em movimento tipicamente orientais é extensa e o nível de detalhamento dos templos budistas, arranjos florais, objetos folclóricos, trajes; e outros ambientes e elementos contribuem para que a direção artística e a animação sejam hipnotizantes.

Imagine um campo ensolarado de trigo movimentado pelo balanço dos caules enquanto você batalha freneticamente com mais de nove ninjas arremessando shurikens ao mesmo tempo. Numa floresta, os raios de sol atravessam cada espaço entre as árvores enquanto nos cassinos templários, um show de cores se mistura entre sombras de mafiosos e gueixas refletindo suas andanças nas fachadas dos templos.

É difícil prosseguir com a descrição da exuberância exibida nesta pintura em movimento devida a tanto capricho visual.

Em Muramasa: The Demon Blade, você controla o ninja Kisuke ou a princesa Momo por uma seqüência de cenários mostrada pelo mapa repleto de Ninjas, Samurais, Yureis (fantasmas folclóricos), Tengu (demônios de narizes enormes com olhos esbugalhados), Kappás (duendes aquáticos), Oni (diabretes com chifres na testa que se alimentam de humanos); entre outros demônios bizarros de diversos tamanhos ao final dos estágios.

Alguns chefes, de tão gigantescos não cabem na tela.

Todo o colírio visual movimentado pela animação soberba de Oboro Muramasa não teria a mesma magia se não fossem sonorizadas pela impressionante trilha sonora composta por flautas doces, violinos, harpas, tambores, gongos, sinos e outros instrumentos do oriente.

A opção em manter os diálogos em japonês na versão americana publicada pela Ignition Entertainment se mostrou acertada, pois combina perfeitamente com o tema do jogo e o design dos personagens e cenários.

Difícil largar o controle tão cedo.

O game apresenta uma combinação perfeita entre a mecânica dos antigos jogos de luta; mesmo que simplificada, e estratégia ao apertar freneticamente o botão “A” do Wiimote junto ao direcional analógico do Nunchuk para desferir combos intermináveis em combates bem similares aos títulos Hack´n Slash, no qual os jogadores precisam bater até que não reste nenhum inimigo na tela. Não pense que isso deixa o jogo linear, nem tão pouco que as batalhas são simples e fáceis. Visto que há mais de 100 espadas colecionáveis, seu personagem só pode levar três delas de cada vez, o que aumenta a estratégia e o desafio ao jogador que melhor a utilizar contra a horda de inimigos na defensiva ou ataque.

Além do suporte ao Control Classic e ao controle do GameCube, Oboro Muramasa suporta a combinação entre o Wiimote e o Nunchuk, seu controle auxiliar.

Ergam suas flâmulas, afiem suas lâminas.

A mecânica das espadas requer muito mais do que atenção, por cada uma possuir um ataque especial diferente, que ao ser liberado com o botão “B” do Wiimote, diminui o seu medidor de vida útil – Soul Gauge, que também é reduzido ao se defender com ela.

Uma vez o medidor é zerado, a lâmina da espada se quebra ao meio diminuindo seu poder de ataque. Neste momento crucial, ao pressionar o botão “C” do Nunchuk, o seu personagem ativa outra espada para dar continuidade ao combate enquanto aquela espada quebrada se recupera sozinha. As espadas são divididas em dois grupos: TACHI (espadas rápidas e perfeitas para ataques aéreos, porém com menor alcance e poder de ataque) e ODACHI (espadas lentas, porém mais poderosas e com maior alcance). Portanto, execute seus ataques, sua defesa e habilidades especiais com sabedoria.

Além da energia vital de seu personagem e suas espadas serem recarregadas pelas auras dos inimigos decapitados; entre diálogos inteiramente falados, monges budistas, gueixas, mulheres ninjas, anciões agricultores e cozinheiros irão cruzar o seu caminho para vender bugigangas (talismãs e amuletos) e guloseimas (Tempurá, Peixe Cru, Sushi, Molho de soja e outras). As receitas mais deliciosas da exótica culinária oriental servem como moedas para a criação das armas.

Muramasa the Demon Blade ainda dispõe de 3 opções de jogo. Enquanto o Unmatched Mode é mais focado na evolução dos personagens e em elementos de RPG, o modo mais focado na ação por intensas batalhas ininterruptas (Carnage Mode) é recomendável para os jogadores mais experientes. O terceiro modo nomeado como Insane Death Mode só estará disponível após o término do Unmatched Mode.

 Por inúmeras vezes, será necessário revisitar os estágios já explorados, sejam para ganhar mais experiência, novos talismãs, recompensas e extras para que Kisuke e Momo fiquem mais fortes a ponto de destruírem os portais que dão acesso as novas províncias. Quer premissa mais Hardcore que isso?

Muramasa é um jogo essencial para qualquer dono de Wii ou PSVita. Com o port de 13 Sentinels: Aegis Rim vindo no próximo ano para o Nintendo Switch, bem que a Marvelous e a Vanillaware poderiam criar uma edição de cada um dos seguintes jogos cults para a plataforma híbrida da Big N –  Odin Sphere: Leifthrasir, Dragon’s Crown e Murasama: The Demon Blade. Oremos (risos).

Gráficos/ Direção de Arte = 10 

Som/ Efeitos Sonoros = 10 

Jogabilidade/ Interatividade =

Diversão =

Criatividade =

Movimentação/ Fluência = 9

Single Player = 10 

Multiplayer =

Longevidade =

Média = 9