O que aparenta ser apenas um tutorial de uma suposta aventura em terceira pessoa, é uma desculpa para introduzir as belíssimas cenas de abertura de FRAGILE Dreams: Farewell Ruins of the Moon – um dos jogos mais lindos e emotivos do Wii (que também é suportado no Wii U).

E um dos mais tristes também…

Quando o silêncio não mais proporciona calma…

Após enterrar o seu falecido avô em um jardim florido, um garoto de 15 anos chamado SETO vaga sobre o silêncio do mundo pós-apocalíptico acompanhado pela claridade da Lua como sua guia em uma cidade sem luz, sem movimento e habitantes. Mas ele não está sozinho. A quietude perturbadora que permeia sobre a província do Japão esconde forças sobrenaturais atrás do desaparecimento de toda a população.

Por Cayo Eduardo. (Equipe BIG BOY GAMES)

Destaque para a música intitulada “HIKARI” cantada por AOI TESHIMA – Cantora do gênero J-Pop, que narra à abertura feita em animação. Coração de pedra daquele que não se emocionar com a canção. Curiosamente, Aoi também é atriz e uma das dubladoras oficiais que dá vida aos personagens dos longas metragens de animações de Hayao Miyazaki e seu estúdio Ghibli.

Lançado no dia 16 de Março deste ano nos EUA (com mais de um ano de atraso em relação à versão japonesa), FRAGILE Dreams é um sinistro jogo híbrido de RPG com elementos de ação, exploração linear e controles simplórios.

A exploração começa quando SETO avista uma misteriosa menina de cabelos acinzentados cantando sentado sobre uma torre em ruínas. Após ser surpreendida pelos olhares apaixonados do garoto andrógeno, que em um momento de distração provocara um seu incidente; a menina corre para o subterrâneo de uma estação de trem abandonada, mas infelizmente Seto não consegue alcançá-la.

Desolado, mas equipado de apenas uma lanterna, uma mochila e um pedaço de tronco de madeira, Seto explora ambientes claustrofóbicos e hostis de tão vazios em meio a repentinas aparições fantasmagóricas.

Além de iluminar caminhos obscuros, a lanterna controlada pelo “Wii-remote” também detecta espectros, mensagens ocultas através dos desenhos enigmáticos nas paredes e outros objetos em busca de pistas sobre o paradeiro dos desaparecidos. Seria este o tão especulado fim do mundo? Vai saber…

Enquanto o direcional analógico controla as andanças de Seto, o posicionamento e a direção da luz emitida pela lanterna são controlados pelo sensor de movimentos e o “pointer” do “Wii-remote”.

Com o botão B pressionado, o ângulo de visão passa a ser em primeira pessoa para que o jogador ilumine e observe os pontos minuciosos dos cenários; como por exemplo os desenhos e ideogramas feitos com giz nas paredes ou os pontos luminosos do cenário que abrigam pacotes misteriosos, chaves e outros segredos. Quando alguma pista é detectada, o controle treme em suas mãos.

Ao apertar cada um dos lados do direcional digital “D-PACK”, é mostrado o diagnóstico de vida útil de Seto, um mapa geral do ambiente explorado, o acesso interno a sua mochila para organizar um limite de itens encontrados e um espaço reserva para guardar os itens aparentemente desnecessários para aquela ocasião.

Para desferir os ataques sequenciais com o pedaço do tronco de madeira manuseada por Seto, basta apertar o botão A com diferente intensidade. Além dos troncos maiores, o protagonista faz de outros objetos como (machados, estilingue) suas novas armas para atacas os fenômenos sobrenaturais. Apertando o C do “Nunchuk” uma única vez, o personagem agacha para passar por debaixo de alguns obstáculos. Apesar dos controles serem relativamente precisos, o protagonista é manuseado por mecânicas desajeitadas, truncadas e datadas, que transbordam a falta de polimento. Infelizmente, as mecânicas reconhecidas pelos melhores clássicos da atual indústria dos games foram ignoradas pela equipe de desenvolvimento de FRAGILE Dreams.

Ao contrário da maioria dos jogos de aventura em terceira pessoa e talvez para não prejudicar a precisão da luz emitida pela lanterna, Seto nunca fica de frente para a câmera do jogo, principalmente quando precisa fugir de algum ataque inimigo. E não há nenhum tipo de defesa para bloquear os ataques. Mesmo enfeitiçado por alguns aspectos positivos, você não conseguirá ignorar as deficiências da mecânica dos controles e os problemas de estrutura como forma de estender o tempo de jogo. Em um momento mais adiante, provavelmente, você passará por mais de 50 minutos perseguindo um pentelho garoto em torno de um parque de diversões por ter roubado um medalhão. E digamos que você tenha que voltar por aquele mesmo caminho já antes visitado para recuperar um item exigido por algum guarda fantasmagórico? Essas convenções são densas, lastimáveis e deixam o ritmo do jogo num estado um pouco entediante. Felizmente, algumas deficiências não chegam a estragar a experiência do usuário por completo.

Algumas mudanças fundamentais só podem ser feitas quando Seto se senta diante da fogueira. Caso você não encontre uma fogueira por perto após seu tronco de madeira quebrar inexplicavelmente, terá que lutar com a arma quebrada, fator que contribui para que o combate leve uma eternidade.

Em compensação, alguns recursos exclusivos do “Wii-remote” como o “speaker” foi executado com sabedoria.

Num determinado momento em que um espírito de uma criança fica invisível e num processo de esconde-esconde, o jogador deve levar o controle remoto próximo a orelha para escutar suas risadas em diversos volumes e tonalidades, adivinhando a distância que o fantasma está, enquanto caminha pelo cenário! É demais! Alguns objetos e pacotes misteriosos, que vão desde coleiras, conversas telefônicas, garrafas de leite até fotos, são revelados através da memória de seus donos quando o jogador faz com que Seto se sente diante da fogueira, característica também usada para salvar o jogo do ponto onde parou.

Tanto nas palavras dubladas quanto na elaboração dos textos, todas as memórias descritas são comoventes e mexem com o lado emocional dos jogadores. Embora o conceito do jogo publicado pela Namco Bandai Games seja inteligente e intrigante do início ao fim, seu desenrolar são dolorosamente lentos, principalmente ao gosto dos jogadores ocidentais tão imediatistas, senão impacientes.

Os elementos de RPG vão desde a recuperação de armas até “upgrades” de energia vital. Quando Seto encontra nos escombros uma espécie de rádio robô ambulante apelidado como “Personnal Frame”, a voz doce que emite palavras de aconselhamento através do “speaker” do controle remoto faz a ponte entre a tela e seus sentidos. Faz com que o jogador mergulhe de corpo e alma pra dentro do universo sensível de FRAGILE Dreams.

Direção Artística x Efeitos Visuais.

Qual a razão para classificar FRAGILE Dreams como um dos títulos mais bonitos do Wii? Simples. Mais do que camadas de alta resolução para tampar alguma textura mal acabada ou outra falha técnica, admirar a direção de arte condizente a premissa daquele game lançado. É impressionante observar o cuidado e o bom gosto da equipe de desenvolvimento do estúdio Tri-Crescendo – responsáveis por Baten Kaitos. (Nintendo GameCube) e Eternal Sonata. (PS3 e X360)” em misturar recursos de duas diferentes técnicas visuais dentro das possibilidades que o Wii oferece.

Enquanto os cenários gerados em tempo real são bem construídos (estações de trens em ruínas repleta de destroços de alta tecnologia, hotéis assombrados, enferrujados parques de diversões) e compostos por minuciosos detalhes, cores pasteis, texturas renderizadas para dar um aspecto semi realista; os personagens modelados em Cel-Shadded “estilo gráfico  similar aos desenhos animados” são autênticos, tão cheios de vida e personalidade!

 Duas horas de silencio. Cinco horas, sete ou até quem sabe, quase sempre.

O medo nem sempre é transmitido por gritos ou barulhos ensurdecedores senão o próprio silêncio da desolação. Seus ouvidos serão surpreendidos por sutis dedilhadas nos acordes sinistros de piano, ruídos e sussurros estranhos também emitidos pelo “speaker” do controle.

Você já se imaginou acordar numa manhã qualquer e descobrir que o mundo está desolado? Um dos maiores temores de hoje – a solidão, parece ter sido o foco para desenvolver a premissa inquietante do jogo. Além do desolamento visual, a falta de músicas na maior parte do tempo contribui para o incômodo. Todas as poucas músicas cantadas são tristes e compostas por instrumentos clássicos na voz da cantora “Aoi Teshima”. Os fãs de anime roteirizados por histórias dramáticas não só ficarão encantados pela atmosfera melancólica quanto à sonoridade do jogo.

É certo de que você não vai querer escutar as vozes da dublagem americana, já que a Publisher XSEED fez o trabalho louvável de incluir as vozes originais japonesas com opção de legendas em inglês!

Antes que o mundo se acabe de vez, apenas um último pedido…

Diante do lançamento gradativos de tantos RPGs com sistema de jogabilidade, enredo, elenco de personagens genéricos, FRAGILE DREAMS: Farewell Ruins of the Moon tem um conceito espetacular e uma premissa diferente de todos os jogos feitos até hoje; porém a execução poderia ter sido um pouco mais refinada e atual a exemplo dos combates um pouco atrasados. A história é cativante assim como o carisma de todos os personagens. A emocionante trilha sonora, a incrível direção de arte em exibir belos cenários com cada elemento gráfico no seu devido lugar ainda que não interativo e os valores de produção conquistarão o aficionados por jogos japoneses.

De longe, a atmosfera do jogo tem um clima semelhante ao gênero “Survivor Horror”, mas com um toque de ingenuidade. Mais incrível é a maneira com que a lanterna foi mapeada. No entanto, algumas convenções na progressão do jogo são cansativas e lentas. Apesar da simplicidade e algumas deficiências na mecânica dos controles serem adequadas aos jogadores casuais, este RPG incomum não é um game para ser apreciado por qualquer perfil de jogador.

Gráficos/ Direção de Arte: 9

Som/ Efeitos Sonoros: 9

Jogabilidade: 7

Diversão: 6

Single-Player: 7

Multiplayer: 0

Média: 8