Por Cayo Eduardo. (Equipe BIG BOY GAMES)
Sejamos sinceros. Ultimamente, a biblioteca dos jogos de tiro em primeira pessoa não passa de uma coletânea extensiva de títulos genéricos. Desde quando o Wii foi lançado, um título sempre voltava pra dentro do gabinete do console da Nintendo para fechar as últimas horas de jogatina:- Red Steel. (um dos primeiros títulos de estreia do console de natureza diferente da Nintendo).
Além de muito calibre, o jogo ofereceria algo inteiramente novo em termos de combate com espadas numa visão em primeira pessoa com base nos controles por sensor de movimentos do console. No entanto, a lâmina foi quebrada ao meio por não ter sido tão bem afiada, ou seja; Red Steel foi um dos primeiros títulos a não cumprir com as expectativas daqueles jogadores que esperavam manejar com fidelidade uma espada em mãos.
Mesmo muito criticado pela mídia especializada, na época, o título conseguiu vender mais de um milhão de cópias e, mesmo que mal executado, plantou a semente de um novo estilo dentro de um gênero de jogo com conceitos manjados. Grande parte das críticas são merecidas.
Na tentativa de se redimir, a UBISOFT alegou que teve pouco tempo para desenvolver e consertar todos os defeitos descritos: a imprecisa e datada mecânica da espada na hora dos combates com atrasos de reconhecer os movimentos dos jogadores e a progressão de jogo por sofrer constantes caídas de framerateloadings e alguns bugs.
Embora alguns conceitos no design de fases fossem impressionantes por reproduzir com fidelidade os ambientes deslumbrantes da terra do sol nascente como casas de luxos e templos, em contrapartida; não só alguns corredores eram extremamente genéricos como os modelos dos personagens não foram dos mais inspiradores.
Pelo menos, quase todos os elementos dos cenários eram destrutíveis e as funcionalidades do controle para realizar algumas funções se mostraram bem criativas. Enfim, Red Steel foi uma mistura de boas ideias, mas com potencial não realizado.

A segunda chance: RED STEEL 2.
 
Diz a lenda que a UBISOFT estaria trabalhando numa continuação melhorada e que tal produção suportaria o poderio do motor gráfico Unreal Engine 3 no Wii, até que veio a surpresa… Em uma das edições da revista americana “Nintendo Power“, foram publicadas as primeiras imagens e informações de Red Steel 2.

*Capa da revista Nintendo Power destacando Red Steel 2.
Durante as exibições na conferência da UBISOFT na E3 2009, muito se falou sobre as positivas conquistas obtidas no desenvolvimento da continuação graças a existência do Wii MotionPlus – acessório/ periférico desenvolvido pela Nintendo que adiciona mais precisão aos sensores de movimentos do controle Wii-Remote.
E eles não estavam mentindo. RED STEEL 2 redefiniu um novo estilo dentro do gênero FPS.
Ao invés de reaproveitar as deixas do primeiro game para ser jogado como uma sequência direta, Red Steel 2 não só é uma evolução de interatividade, como convida aos jogadores veteranos a experimentar a mecânica de uma maneira completamente nova e superior ao conceito original. E em grande estilo independente da época em que foi lançado, já que até hoje não existe algo parecido.

O universo realista do território contemporâneo japonês e os capangas da famosa Yakuza foram trocados por uma realidade alternativa “oriente ocidental” que transita entre duas culturas distintas:- o velho oeste nipo-futurista na remota cidade de Caldera, no meio do deserto de Nevada. A fusão caricatural estampada na impecável direção de arte nos faz lembrar das cinematográficas obras referenciais criadas por Quentin Tarantino.
O visual é similar a um triângulo amoroso entre “Borderlands”, “Sukiyaki Western Django” e “XIII” por utilizar os melhores recursos de Cel-Shaded. A técnica gráfica que simula o visual de um autêntico desenho animado pincelou artes conceituais em movimento, proporcionando artisticamente, um dos gráficos mais bonitos do Wii. A escolha não poderia ter sido melhor!
A honra pertence aos combates por uma lâmina com significado mais profundo do que apenas uma arma…
Você joga com um guerreiro anônimo com ar de lobo solitário e fama de ser o último sobrevivente do Clã Kusagari depois de seu próprio exílio de cinco anos. Durante seu exílio, gangues de clãs rivais desceram até Caldera e exterminaram toda a sua família. E a hora da vingança é agora!
Red Steel 2 é inteiramente baseado em missões, nas quais você traça seu destino através de uma árvore linear de tarefas para avançar e não como uma estrutura no design de fases. Basta acionar uma missão através das conversas gravadas entre você e seus comparsas do clã, e seguir em frente tomando por referência as setas verdes localizadas no mini-mapa (localizado na canto inferior esquerdo da tela).
Além de destruir boa parte dos objetos dos cenários, você se sentirá instigado a realizar funções opcionais como atirar em secretas moedas do xerife, abrir cofres e ativar torres de comunicação.
Essas funções não têm grande importância na progressão da história, mas renderão tesouros para gastar em “upgrades” ou compra de armas, novas espadas, novas técnicas e armaduras.
Embora o protagonista tenha muito calibre no pente por carregar armas de fogo, a mais nova aposta muito bem sucedida da UBISOFT, que facilmente pode ser classificada como um game de ação ‘single-player’ em primeira pessoa tende mais para a esgrima do que tiroteios; ainda porque posteriormente, você vai desbloquear centenas de habilidades poderosas e técnicas de espada – fator que praticamente remove alguns dos elementos de FPS no estilo.
A fase experimental deve ser esquecida nos conceitos limitados do 1º jogo, que transpareceu servir de cobaia quando os desenvolvedores ainda estavam aprendendo exatamente o que o sistema da Nintendo e seu controle por sensor de movimentos podiam fazer.
Esqueça os gestos aleatórios que resultam em qualquer tipo de ação imprecisa e fortes dores no antebraço. Esqueça as chacoalhas – tantas vezes descritas nas resenhas que já vimos por aí a respeito dos giroscópio/ sensor de movimentos do Wii-Remote.
Definitivamente, com Red Steel 2 você precisa reaprender a jogar Wii. Pois, a curva de aprendizagem exige desenvoltura, destreza e desinibição do jogador para a experiência com uma profundidade nunca antes vista! Chacoalhar o “Wii-remote” repetidamente não fará o menor sentido aqui. Ainda que seus movimentos não sejam exatamente reconhecidos 1:1 (com apenas milímetros de atraso), o que realmente teria sido desnecessário uma sensibilidade exagerada; sua precisão é incrível. (!!!)
Além da velocidade, a tecnologia do Wii MotionPlus aplicada a interatividade de Red Steel 2 calcula de forma tridimensional a intensidade com que seu corpo se movimenta para executar os movimentos de ataque da espada com o braço até os mais sutis gestos de pulso considerando a força aplicada pelo jogador em seu golpe.
O jogo usa uma câmera inteligente que permanece bloqueada e estática para a ação, mesmo quando você leva o controle remoto para fora da tela, especialmente com o botão Z pressionado para travar a mira em algum dos inimigos presentes. Até a suavidade com que o “pointer” se movimenta é superior a todos os outros títulos do Wii. Embora o jogo tenha um desafio equilibrado adequado para a abrangência de público, definitivamente, Red Steel 2 não é exclusivamente um título para os jogadores casuais.
Como realizar os movimentos em diferente escala torna o jogo muito mais dinâmico, até mesmo os jogadores mais preguiçosos, senão sedentários não poderão sentar ou relaxar no sofá mais confortável para jogá-lo; caso queiram experimentá-lo e apreciá-lo corretamente.
Além dos movimentos básicos, o jogo criado pelo diretor oficial da Ubisoft – Jason Vandenberghe apresenta um modo de treinamento habilitado através de pergaminhos para aprender golpes especiais que combinam botões e movimentos. E você vai querer dominar todos eles.
O jogo não o deixará progredir até que você execute com êxito o mesmo movimento várias vezes. Você vai entender a necessidade de repetição no início, mesmo depois de experimentar os movimentos básicos.
Os especiais que nos permitem realizar “combos” incluem defesa seguida de ataques fulminantes, cabeçadas, estocadas com a ponta da lâmina, espadadas giratórias em 360 graus para acabar com a horda de artilheiros e ninjas de uma só vez, e até um poder mágico da espada que permite arremessar os capangas às alturas.
Neste momento, saque sua arma imediatamente e fuzile quando os mesmos inimigos ainda estiverem submersos do chão. Especiais como este permite o uso simultâneo de esgrima e arma de fogo. Caso necessário, entre na tela opções para personalizar os controles a seu estilo desde o tamanho da caixa delimitadora até a velocidade e sensibilidade de movimento.
O nipônico velho e novo-oeste semi-futurista com cara de super produção.
Repare que  desde a macificação dos jogos em alta definição, que estávamos vivendo em uma fase na indústria dos vídeo games, em que os jogos gerados por gráficos foto realistas cada vez mais associados à “qualidade” dos mesmos, assim, gerando uma excessiva disputa desconfortável de qual jogo chega mais próximo da realidade; ao invés dos desenvolvedores se proporem a explorar as capacidades daquele diferente estilo visual a favor da originalidade.
E por que não oferecer o melhor dentro das possibilidades de cada console?
Um tiro para o alto em congratulações á magnífica produção técnica de RS2. Com forte influência dos “Graphic Novel” americanos, a UBISOFT deu o tipo certeiro em abusar dos recursos de Cel-Shadded rodando suavemente como uma seda em 60 frames constantes por segundo!
Apesar do visual ter 480p de resolução em comparação aos jogos de plataformas concorrentes, seus gráficos são tão nítidos que os “transeuntes” podem confundí-los com os de X360 PS3. Ambientado numa espécie de “Oriental Western metropolitano” ou “Nipô-velho-oeste” quase sempre ensolarado, as paisagens ilustram botecos e fachadas enfeitadas por grafites, neon, “outdoors” publicitários com ideogramas japoneses, folhagens, templos e tecnologia em profusão sobre solos empoeirados. As animações dos personagens secundários que dialogam com o protagonista são espetaculares!
Pra “bombar” no seu estéreo, as músicas de fundo que misturam melodias e tambores japoneses com um toque de espaguete ocidental resultam em composições atmosféricas tão geniais que Ennio Morricone ficaria orgulhoso. A qualidade se mantém intacta na sonoplastia dos barulhos de tiroteio, de quando as espadas se chocam, no ranger das portas e na maravilhosa dublagem canastrona com um tom de ironia e sarcasmo bem similar aos filmes de “Western marcial” das antigas.
Dez horas de calibre e lâmina.
Com um enredo nem um pouco original, a história é o elemento que menos importa em RS2. A surpreendente experiência de jogo se estende por 10 horas entre missões, funções secundárias e eletrizantes combates contra os chefes; a exemplo do brutamontes tatuado Payne. No entanto, a equipe de desenvolvimento apenas acrescentou um modo “Challenge” com a possibilidade de retorno às áreas já concluídas, premiações com medalhas de ouro, prata e bronze, dependendo de quanto dinheiro ganhar, considerando o fato de que você ainda terá que completar as missões do modo de treinamento, mesmo que já tenha aprendido os especiais em suas primeiras dez horas de jogatina.
Mesmo sem nenhum “extra”, além de ser uma compra mais do que obrigatória; a interatividade aplicada a experiência de jogo sem precedentes de Red Steel 2 o fará esquecer de outros títulos do Wii.
E que a empresa francesa pense com carinho em uma continuação a altura ou no mínimo um edição remasterizada para o Nintendo Switch. Diante de milhares de jogos FPS com ideias clichês ou ultrapassadas, a franquia RED STEEL precisa ser revitalizada para que todos tenham a oportunidade de experimentar algo único. Enquanto isso ainda não acontece, faça um favor para si: JOGUE RED STEEL 2 no Wii ou no Wii U.
Gráficos e Direção de Arte: 10
Som e Efeitos sonoros: 10
Jogabilidade e Interatividade: 9
Diversão: 9
Desafio: 7
Movimentação e Fluência: 9
Longevidade: 7
Média: 9,7