FINAL FANTASY CRYSTAL CHRONICLES THE CRYSTAL BEARERS.

Plataforma: Wii (Com suporte para jogar no Wii U)

Lançamento: 12 de novembro de 2009.

Na E3 de 2006, cenas pré-renderizadas exibidas em um vídeo de sete segundos indicavam que a qualquer momento o Wii receberia a continuação do spin-off da franquia Final Fantasy, que nasceu em 2004 no Gamecube quando a Square Enix voltou a produzir jogos para os consoles da Nintendo. Diferente dos games tradicionais com a estrutura clássica de RPG, a série derivada CRYSTAL CHRONICLES sempre apostou na ação entre um ou quatro jogadores. Mas seus personagens, apesar de bem construídos; careciam de personalidade – o que não agradou os fãs. Aventura cooperativa, clima medieval, combates simplificados e personagens SD pareciam ser elementos de um conceito em potencial condizente com a carimbada imagem da Big N; mas tão obsoleto quanto seu enredo sem profundidade para os games de hoje.

Depois de quase 18 meses sem novidades sobre a tal continuação, quando revistas e sites especializados já davam seu desenvolvimento como cancelado; em Dezembro de 2008, um evento exclusivo da Nintendo no Japão foi encerrado com a surpreendente aparição do game no telão com o subtítulo THE CRYSTAL BEARERS.

No vídeo do jogo exibido durante a E3 2009, um carismático jovem de cabelos loiros rasgava o céu em queda livre armado de uma metralhadora atirando em criaturas aladas, e com habilidades tele cinéticas manipulava qualquer objeto em empolgantes combates em tempo real.

Seu nome é Layle e predestinado a ser um dos Crystal Bearers, ele é o protagonista desta aguardada aposta desenvolvida pela Game Designer´s Studio – equipe subsidiária da Square-Enix, e lançado no dia 26 de Dezembro de 2009 nos EUA exclusiva para o Wii.

Por Cayo Eduardo. (Equipe BIG BOY GAMES)

No universo ocupado por quatro diferentes raças: Clavats, Selkies, Lilties e Yukes; uma guerra travada entre as duas últimas raças pela ganância ao poder dos mágicos cristais, dizimou os Yukes. Enquanto as civilizações evoluíram tecnologicamente, as artes arcanas perderam força, assim sendo recriminadas pelo reinado dos Lilties – a raça dominante. Apenas os portadores dos cristais permaneceram com a possibilidade de utilizar algum tipo de magia, e Layle é um deles.

Com um cristal alojado em seu rosto e tão cheio de si quanto a sua fama de herói , Layle enfrentará Amidatelion. Diz a lenda, que esta esguia com o rosto coberto por um capacete é a última Crystal Bearer da raça Yuke ainda viva. Apesar de pertencerem a raças arqui-inimigas, fica evidente que eles têm uma forte relação de Vida.

A apresentação da épica aventura cinematográfica produzida pelo diretor Akitoshi Kawazu vai na contramão das tradicionais cenas não-interativas em computação gráfica por demonstrar gráficos in-game. O vislumbre visual de FINAL FANTASY THE CRYSTAL BEARERS dá uma bela amostra do que os jogadores poderão apreciar durante as próximas horas de jogo.

Reconhecida por sempre ousar e trazer o inesperado aos jogadores, mais uma vez, a Square Enix elevou o nível de qualidade dos títulos produzidos por “third-parties” no Wii explorando as reais capacidades do console e as funcionalidades únicas do controle por sensor de movimentos. Mas ao contrário do que imaginamos, FINAL FANTASY THE CRYSTAL BEARERS é um épico game de ação em mundo aberto com sutis elementos de RPG MMO, no qual a interatividade do jogador determina o avanço de uma aventura diferente e inesquecível!

Talvez o que hoje, nós conhecemos Final Fantasy XIV e XV como parâmetro e referência das aventuras de Final Fantasy em mundo aberto, começou lá atrás com FF: The Crystal Bearers.

Substitua todos os feitiços, evocações celestiais e magias desproporcionais por uma só força com milhões de possibilidades!

O poder de tele cinese manipulada por Layle em controlar a lei da gravidade é o elemento-chave desta força, seja durante a exploração não-linear ou durante as batalhas num mundo de fantasia tão interativo que parece ter vida própria.

Interaja, movimente e manipule do jeito que quiser.

Apesar de ser esquisita no início da aventura, a possibilidade de controlar a gravidade pelo “pointer” do “Wiimote” dá ao protagonista a liberdade de manipular todos os tipos de objetos à distância, desviar projéteis, fazer com que cada um dos personagens flutue sobre sua cabeça e arremessá-los em qualquer direção provoca reações das mais inusitadas.

Que tal reaproximar casais, provocar discórdia entre as pessoas, colocar ordem no celeiro, mover alavancas e pedras gigantescas, arremessar itens ou roubar cristais, ouros e mapas através desta força?

A mecânica é simples e consiste em neutralizar o inimigo ao pressionar o botão B, erguê-lo e arremessá-lo fazendo movimentos similares com o “Wiimote”; que por sua vez, funcionam com precisão. Preparem-se para presenciar mais de quatro diferentes reações ao interagir com o mesmo personagem.

Se caso for atacado, aperte o botão A imediatamente para que Layle dê um mortal para trás voltando na mesma posição de ataque. Uma estocada para frente faz com que Layle dê rolamentos fundidos ao poder da tele cinese.

Já nas batalhas em tempo real, a jogabilidade funciona por um novo sistema de inteligência artificial dos inimigos, na qual seu poder de manipular, levitar e arremessar qualquer tipo de objeto com a lei da gravidade, não só altera o comportamento tornando-os mais inteligentes como também influencia em suas táticas e estratégias de ataque.

Ao invés de oferecer uma escalada gradual ao poder dos oponentes conforme seu herói evolui, o jogo apresenta ações e reações contextuais que atrelam a utilização dos poderes em determinados monstros. Quando um miasma aparece sobre o céu azul, o enorme vilarejo habitado por vaqueiros, plantações em abundância e animais mamíferos é substituído por devastação, caveiras e ogros bizarros. Vencendo a todas as criaturas dentro do tempo determinado, o jogador terá que destruir o foco do miasma para adquirir um item especial.

Dependendo da forma como o jogador interage com os objetos e inimigos, um resultado diferente acontece. Mas procurar por diferentes maneiras de utilizar tais elementos do cenário a seu favor se torna cansativo com o tempo.

Os jogadores descompromissados e menos experientes se sentirão perdidos e passarão batidos diante de tanta liberdade por conta de dois graves problemas primários: o mapa ineficaz por apenas oferecer uma visualização geral do ambiente sem detalhe algum e uma câmera inconsistente que obriga ao jogador ajustar o ângulo de visão a todo o momento através do direcional digital do “Wiimote”.

Em compensação, a colossal e primorosa batalha contra o primeiro chefe representado por Bahamut, o faz esquecer dos poucos problemas de estrutura que o game tem. Este momento “clímax”, ficará gravado pra sempre na memória dos fãs de longa data da série.

O imenso universo de Crystal Bearers é um triângulo amoroso entre a fantasia a moda antiga, a evolução da tecnologia contemporânea e a ciência. É produção acima do padrão que transpira magia com um toque inocente do mundo Nintendona essência.

Se não é que trabalharam juntas, fica explícito que a equipe de desenvolvimento do título andou bebendo água da mesma fonte dos últimos clássicos da Big N: Super Mario Galaxy e The Legend of Zelda: Twilight Princess. Apesar de o enfoque ser adulto, o clima do jogo é agraciado por um tom mais ingênuo, cômico e descontraído.

Uma jornalista aspirante a fotografa com duvidosas intenções chamada Belle e Keiss – um ninja mercenário do exército Lilty, e mais outros personagens que acompanham ou cruzam o caminho de Layle; além de bem modelados, demonstram tanto carisma e personalidade, que é impossível classificá-los como personagens secundários. Mas são os gráficos que merecem os maiores aplausos.

O visual é soberbo, tanto técnica quanto artisticamente. O céu e as águas de FF: The Crystal Bearers são verdadeiros oceanos de tão azuis. Como de costume, a impecável direção de arte beira a perfeição pincelada pelas mãos mágicas da Square Enix.

A ambientação do jogo é um vasto paraíso em movimento à espera do imponente jovem heroico de cabelos dourados em expedição por florestas lamacentas, catedrais renascentistas, gigantescos vales paradisíacos, palácios imperiais, futuristas estações de trens estilizados e outros ambientes reconstruídos por minuciosos detalhes!

E pasmem, não há “loadings” quando o jogador transita de um território para outro. Em vários momentos, você se pegará girando a câmera com o direcional digital afim de encontrar o melhor ângulo de visão para tirar fotos.

As fotografias serão diretamente gravadas no cartão SD do seu Wii.

Indo do New Age à música Country ao pé do ouvido, além de a trilha sonora acompanhar a qualidade da exuberância visual, o repertório musical é tão eclético quanto às intervenções paralelas a exploração do protagonista dirigindo a aeronave em forma de navio, cavalgando sobre um memorável Chocoboo ao ser perseguido, conduzindo uma dama de honra à dança de valsa e até mesmo participando de uma partida de futebol futurista.

É como se a variedade de todas as intervenções paralelas, também apelidadas de mini-games representasse a profusão de todos os gêneros de jogos numa só aventura.

De tão bem dubladas e sincronizadas com as expressões faciais, as vozes dão vida a personalidade de todos os personagens.

Para te ajudar a cruzar os longos caminhos entre um território e outro, os graciosos Chocoboos estão a sua disposição para tal montaria. Apesar da ideia de liberdade em caminhar por ambientes abertos assustar os jogadores mais convencionais, a jornada de Final Fantasy the Crystal Bearers não é tão longa e desafiadora em comparação aos tradicionais jogos de ação e aventura.

Já conhecidos em seus predecessores lançados para o Gamecubee o canal Wiiware, os adoráveis bichinhos apelidados como Moogles estarão por toda parte para ajudá-lo através de pequenos diálogos, mapas e itens especiais . Um Mooglemetido a carteiro estará sempre te seguindo com uma carta descrevendo para onde deve ir para cumprir certas missões.

Seu valor de produção inquestionável enriquecida pela beleza gráfica que poucos títulos do Wiipodem concorrer, a trilha sonora que sustenta sua premissa bem-humorada e sua arriscada mecânica dos controles por sensor de movimentos; comprovam que este título pode superar as expectativas de uns enquanto causar divergências aos saudosistas que aguardavam por um novo RPG.

Com tantos clássicos e cultuados jogos dos anos 2000 sendo portados e/ou remasterizados (especialmente, Final Fantasy Crystal Chronicles – GameCube, Final Fantasy VII, VIII, IX e X – PS2), bem que a Square Enix poderia considerar um remaster ou remake em alta definição de FF Crystal Chronicles: The Crystal Bearers para o Nintendo Switch, já que ambas as plataformas se apropriam das mesmas possibilidades de jogabilidade balanceadas pelo sensor de movimentos e giroscópio do Wii-Remote e JoyCons.

Mais depois de quase três anos de produção e tantos adiamentos, por ter se tornado um dos games mais esperado do console, Final Fantasy the Crystal Bearers é um prato cheio para os jogadores sedentos por novos conceitos de jogo para um game de aventura sem se prender as tradições da Square Enix enraizada por RPG´s mais conservadores.

Gráficos: 10

Direção de Arte: 10

Som/ Efeitos Sonoros: 9

Jogabilidade: 7,5

Interatividade do Wii-Remote: 8

Diversão: 8

Criatividade: 8

Movimentação e Fluência: 8

Longevidade: 7,5